Seu range de abertura no poker é a lista de mãos com que você aumenta quando a ação chega até você e ninguém entrou no pote. É a decisão mais repetida da sua sessão — você toma várias por órbita —, e por isso um erro de um ponto percentual ali pesa mais que qualquer blefe bonito de river.
A regra curta: quanto mais perto do button, mais mãos você abre. Não porque suas cartas melhorem, e sim porque sobra menos gente atrás e você vai jogar o resto da mão vendo os outros agirem primeiro.
Quantas mãos abrir de cada posição (6-max)
São referências de mesa online normal, não dogma:
- UTG — 15-18%. Pares a partir de 55, AJo+ / ATs+, KQo, KTs+, QTs+, JTs.
- HJ — 20-24%. Entram os pares baixos, KJo, todos os reis suited, T9s, 98s.
- CO — 28-32%. Todos os ases suited, damas suited médias, conectores até 65s.
- BTN — 42-50%. Quase tudo suited, qualquer ás, conectores e one-gappers.
- SB — 35-45%. Aumenta ou larga: call quase nunca.
Em full ring desce tudo um degrau: UTG numa mesa de nove abre mais perto de 12-14%.
O importante não é cravar o número, é enxergar o salto. Do UTG para o button você triplica as mãos que joga. Se abre parecido de todos os assentos, ou está tight demais no button ou loose demais na primeira posição — e a segunda custa muito mais caro.
Por que o small blind é caso à parte
Do SB você vai jogar a mão inteira fora de posição contra o big blind. Pagar ali é pagar pelo privilégio de falar primeiro o tempo todo. Daí a regra prática: aumentar ou largar — range de raise mais curto que o do button, agressivo, e quase nenhum call.
Tamanho do aumento e o peso do rake
2,5 big blinds no online; 3 ou mais no ao vivo, onde todo mundo paga com qualquer coisa. Sizing maior exige range melhor: você arrisca mais para roubar a mesma coisa.
E tem um fator que tabela nenhuma traz: o rake. Em mesa que tira uma fatia alta de cada pote, as mãos marginais deixam de ser lucrativas e todos os ranges encolhem um pouco, principalmente os de primeira posição. É por isso que a mesa em que você joga importa tanto quanto o jeito que você joga.
Ajustes que valem mais do que decorar a tabela
- Blinds que nunca defendem. Abra mais do CO e do BTN: você está roubando blinds com lucro imediato.
- Blinds que dão 3-bet toda hora. Corte as ofsuited fracas (KTo, QJo) e fique com mãos que aguentam um 3-bet.
- Jogador forte à sua esquerda. Abra um pouco menos: quase todas as suas mãos serão jogadas com ele em posição sobre você.
- Mesa curta (4 ou 5 jogadores). Todo mundo sobe um degrau: o HJ de uma mesa de cinco é praticamente um CO.
Como treinar isso numa semana
Não tente aprender as seis posições de uma vez. Pegue uma por sessão: hoje você só olha o que abre do UTG. No fim, filtre seu histórico por aquela posição e conte a porcentagem real. Quase todo mundo descobre a mesma coisa: abre demais na primeira posição e de menos no button.
Duas sessões depois, repita com outra posição. Em uma semana você tem as seis calibradas com dados seus, não com uma tabela montada para outro pool. Para ver suas porcentagens reais por assento você precisa de tracking: os programas que usamos estão na página de ferramentas.
A lição
Range de abertura não é tabela que se decora, é consequência: quantos jogadores faltam atrás, quanto o pote te custa e o que os blinds fazem. Aprenda o salto do UTG para o button, ajuste pela mesa que está na sua frente e confira seus números de verdade uma vez por semana. É a parte do jogo em que ganhar terreno sai mais barato — ninguém perde stack corrigindo range de abertura, e a melhora aparece em toda órbita.
E não espere ver isso no resultado de terça: essas decisões se pagam em milhares de mãos, não numa sessão. Isso é variância fazendo o trabalho dela.
Se quiser jogar esses ranges em mesas estáveis e com o rake voltando em rakeback, é aí que entra o clube. Quero entrar no clube.