Dez mil fichas. Foi tudo o que Mohamed Zazri empurrou para o meio, a uma única eliminação do prêmio mínimo de €9.900. Josep Ruiz pagou de botão com A8, o board correu JQKKA, e o par de mão de Zazri virou a mão mais cruel do Main Event do EPT Barcelona 2026: a bolha. Ele caiu em 272º, sem nada — e todos os outros garantiram dinheiro.
Os fatos: field fechado em 1.823 entradas e dois brasileiros voando
Com o registro tardio encerrado, o torneio mais importante do circuito europeu selou os números oficiais: 1.823 entradas de €5.300 e uma premiação total de €8.841.550. A mão de Zazri, jogada mesa a mesa enquanto todo o salão esperava, marcou a linha entre sair de mãos vazias e cravar o ITM (in the money, dentro das premiações).
O Dia 2 terminou com 205 sobreviventes que voltam hoje para o Dia 3. O polonês Grzegorz Kozieja lidera com 1.040.000 fichas — cerca de 260 blinds —, seguido pela francesa Sarah Jarry com 926.000. E o Brasil segue muito vivo na briga: Raffael Pereira (627.000) e Vinicius Camargo (602.000) aparecem em 8º e 9º no ranking geral de fichas, bem acima da média de 266.780. O torneio vai até 29 de agosto.
Por que importa: a bolha é a prova mais honesta do torneio
A mão de Zazri é o retrato exato do que ensinamos sobre como jogar a bolha de um torneio: com 2,5 blinds não existe margem para esperar a mão perfeita, e mesmo jogando certo, a variância cobra o pedágio. Empurrar um par ali não é erro; é o que o stack manda fazer. Erro seria deixar os blinds te consumirem esperando ases.
O outro lado da lição é o de quem sobreviveu: na bolha, stacks grandes como o de Kozieja fabricam fichas roubando de quem não pode se defender, e os médios decidem entre proteger o mínimo ou jogar pelo título. É ICM puro em ação — e é por isso que o Dia 3 de hoje, com o dinheiro já garantido, terá um espírito completamente diferente: sem a pressão do min-cash, voltam os pots grandes e a agressão.
Para quem está evoluindo no jogo, acompanhar como o ritmo de um torneio muda antes e depois da bolha é uma das melhores aulas que existem — de graça, no streaming, nesta mesma semana. E com dois brasileiros no top 10, tem motivo de sobra para assistir.
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