783 entradas, uma premiação de MX$ 5.261.760 e uma mesa final quase toda mexicana que terminou com o anel nas mãos de um belga. O WSOP Circuit México 2026 já tem seu primeiro campeão: Miguel Use venceu o Opener Mystery Bounty no Hotel Barceló Santa Fe, na Cidade do México, e forrou MX$ 485.000 mais bounties, no retorno do circuito ao país depois de sete anos.
Os fatos: o Opener passou dos cinco milhões de pesos
O torneio de abertura, com buy-in de MX$ 8.000, quatro dias iniciais e reentradas ilimitadas, fechou com 783 entradas, número que já dá o tom do festival que apresentamos em agosto. Os envelopes do mystery bounty entregaram prêmios de MX$ 100.000 para Guillermo de la Vega, Fabián Balboa e Diego Ponce, e de MX$ 250.000 para José Antonio Rodríguez e Tomás Szwarcberg; o maior, de MX$ 500.000, ainda estava em jogo quando a FT começou.
A mesa final abriu com Josué Aguirre, de Tijuana, como chip leader (5.155.000 fichas) e Eliuth Rojas logo atrás (4.425.000). A primeira eliminação foi um cooler de manual: Gonzalo Mérida aumentou para 450.000 com K-K depois de Use entrar de limp de UTG com A-K; o belga respondeu com all-in, Mérida pagou na hora e o flop trouxe um ás. Luisa Morfín ficou em sexto (MX$ 80.500), Aguirre em quarto (MX$ 156.000) e Diego Ponce fechou o pódio (MX$ 221.000).
O heads-up foi par contra par: Q-Q de Use contra 6-6 de Rojas, e um board com três reis selou o título. Rojas saiu com MX$ 320.000.
E o calendário não dá trégua: o Main Event (Evento #6), de MX$ 27.200 (cerca de US$ 1.700), começa no sábado 5 com dias iniciais diários ao meio-dia até terça 8, mais um quinto voo na terça à noite. Stack inicial de 50.000 fichas, níveis de 40 e 60 minutos e reentradas ilimitadas. No meio, o High Roller de MX$ 48.000 no domingo e o PLO Championship de MX$ 12.800 na segunda.
Por que importa: quando o limp esconde uma armadilha
A mão de Mérida não foi erro: com reis contra um vilão que limpa de primeira posição e depois vai all-in, não existe fold. Mas a linha do Use merece estudo. O limp de UTG numa mesa final, com um jogador agressivo atrás, é armadilha clássica: convida o raise para reabrir a ação com tudo. Se fazem isso com você segurando reis, é cooler; se fazem com você segurando A-J, é lição. Aprenda a reconhecer.
A segunda lição é do formato. Com um envelope de MX$ 500.000 ainda fechado na FT, uma eliminação podia valer mais do que um salto inteiro de premiação. No mystery bounty o valor de um all-in não se mede só em fichas: ele muda seus ranges de call e de push, e quem não recalcula entrega equity de graça.
A terceira é para quem já olha para o sábado. Cinco voos com reentrada ilimitada são um convite para gastar demais. Decida antes de chegar quantas balas sua banca permite e se o caminho mais inteligente é um satélite, e não o buy-in direto. O torneio da sua vida não deveria começar com uma decisão que você já perdeu no caixa.
Vai jogar algum dos voos ou acompanha de casa? Conta pra gente na comunidade: a mesa final do Main Event se define no dia 11 e vamos estudá-la juntos.