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BSOP Floripa 2026: Kaio Camargo é o campeão do Main Event jogando em casa e fatura R$ 379 mil depois de acordo a cinco

2026-09-09 · Equipe KryptoKings

Entrou na mesa final abaixo da média de fichas, o chip leader tinha 127 blinds e quem levantou o troféu foi ele. Kaio Camargo, o "Kaiotex" de Florianópolis, é o novo campeão do Main Event do BSOP Floripa 2026, o torneio de R$ 4.000 que reuniu 892 entradas e distribuiu R$ 2.769.300. Ele faturou R$ 379.000 depois de um acordo entre os cinco finalistas, além do troféu. O próprio Kaio contou que seu primeiro BSOP foi nessa mesma cidade, há oito anos, com dinheiro para uma bala só. Desta vez, cravou em casa.

Os fatos: 159 mãos, nove horas e um acordo que deixou R$ 131 mil em disputa

A mesa final começou com o argentino Ulises Acosta como grande favorito: 12.705.000 fichas, mais de um terço do total. Kaio tinha 3.505.000, cerca de 35 blinds contra uma média de 45. Caíram o uruguaio Federico Sturzenegger (8º, R$ 50.000), Michel Balazs (7º, R$ 66.000) e Anis Homaidan Neto (6º, R$ 88.000), e Kaio assumiu a liderança num sequência contra sequência.

No 5-handed o jogo travou por quase duas horas e os stacks se emparelharam, então os finalistas fecharam acordo: cada um garantiu entre R$ 206.000 e R$ 251.000 e deixaram R$ 131.000 só para o campeão. Gustavo Nicoletti eliminou depois Charles Poltronieri (5º, R$ 224.000) e Acosta (4º, R$ 206.000), que pagou o all-in com A-K contra J-9 e viu A-K-Q-10 abrir na mesa: sequência do rival no turn. Nicoletti chegou ao 3-handed com cinco vezes o stack do segundo, mas perdeu dois all-ins seguidos para Kaio (J-10 contra A-A e 5-5 contra A-4). Kaio eliminou Tiago Dutra (3º, R$ 251.000) com Q-J contra A-7 e entrou no heads-up com 27 milhões contra 7.

O heads-up durou cinco mãos. Na última, Kaio deu min-raise do botão com K-9 de copas, Nicoletti pagou do big blind com K-8 de ouros, o flop veio 9-4-2 com dois ouros, Kaio apostou 800.000, Nicoletti aumentou para 1.900.000 e Kaio foi all-in. Top pair contra flush draw; o turn 7 e o river 10 não completaram o flush.

Por que importa: o chip leader não é campeão até a mesa acabar

Primeira lição, a dos stacks. 127 blinds no início da mesa final são uma vantagem enorme, mas não são título: a mesa durou 159 mãos e nove horas, tempo de sobra para a variância distribuir all-ins nos dois sentidos. Acosta perdeu um A-K contra J-9 (perto de 65% a favor) e foi de líder a quarto; Kaio, com 35 blinds, esperou as mãos certas e ganhou os flips na hora que importava.

Segunda, o acordo. Com cinco stacks quase iguais, o ICM, o modelo que converte fichas em dinheiro segundo a premiação, diz que cada jogador vale quase o mesmo; por isso o deal pagou entre R$ 206.000 e R$ 251.000 em vez dos R$ 119.000 do quinto e dos R$ 500.000 do primeiro. Kaio garantiu R$ 248.000 e depois ganhou os R$ 131.000 extras; sem acordo teria forrado R$ 500.000, mas também podia ter saído em quinto. Fechar acordo não é fraqueza: é trocar variância por certeza quando o dinheiro em jogo pesa mais que a sua banca.

Terceira, a mão final. Com 14 blinds, o check-raise de Nicoletti com flush draw é um semi-blefe que compromete o stack inteiro, e Kaio, com top pair e perto de 65% de equity, não tem o que pensar. No heads-up, top pair é mão de valor, não de medo.

E um detalhe: Kaio e Nicoletti chegaram ao torneio por satélites online. Se você quer preparar o seu antes do BSOP Millions, na comunidade a gente estuda mesas finais como essa toda semana. Você teria aceitado o acordo com cinco stacks iguais? Conta pra gente.

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