Chegou à mesa final como líder com 92 blinds, terminou com todas as fichas e já tem passagem para as Bahamas. Ariel Guzmán Peña, jogador da Cidade do México, venceu o High Roller do WSOP Circuit México 2026, evento de MX$ 48.000 de buy-in que distribuiu MX$ 5.261.760 entre 19 jogadores no Barceló Santa Fe. Levou MX$ 1.334.560, o anel mais caro da etapa e o pacote de US$ 5.000 que todos os campeões de anel desta edição recebem para jogar a WSOP Paradise em dezembro. É o segundo título grande dele no ano: em março, cravou o Main Event da Palace Series of Poker em Monterrey.
Os fatos: um High Roller profundo e um Main Event que se decide nesta semana
O High Roller começou no domingo com 100.000 fichas por jogador, níveis de 40 minutos e registro aberto até o início do Dia 2. Premiou 19 posições com mínimo de MX$ 98.800, pouco mais de dois buy-ins. A mesa final começou profunda: Guzmán com 2.800.000 (92 blinds) e Josué Aguirre, de Tijuana, campeão dias antes do NLH 8-Max, como o mais curto, com 425.000 (14 blinds).
O primeiro a sair foi Diego Ponce de León (9º, MX$ 126.300), e depois a mesa foi esvaziando: Aguirre em oitavo, Santiago Nadal em sétimo, o peruano Aldo Miyashiro em quinto (MX$ 306.900) e Daniel Neilson, cujo 8-8 caiu para Q-J num flip. O americano Nathan Tucker ficou em terceiro (MX$ 598.000) ao perder A-K contra 7-7. No heads-up, Héctor «Chore» Hernández pagou all-in com seus 4.200.000 segurando K-J e Guzmán mostrou 10-10; o board 7-7-5-8-2 não trouxe carta alta e o título ficou em casa. Hernández levou MX$ 878.500.
Enquanto isso, o Main Event de MX$ 27.200, com 50.000 fichas iniciais e níveis de 40 e 60 minutos, fechou seus cinco dias iniciais entre sábado e terça (só o 1A reuniu 100 entradas e classificou 15), jogou o Dia 2 na quarta e disputa hoje o Dia 3. A mesa final é na sexta, 11, com transmissão do PokerGO en Español. É o Evento #6 dos 12 anéis da etapa, que já coroou Miguel Use com o primeiro anel, Fabrizio Campos no Mini Main, Josué Aguirre, Manuel Escalona e René Tinoco, e agora Guzmán.
Por que importa: o que muda quando o field é pequeno e o stack é profundo
Primeira lição: num High Roller, a tabela de premiação manda. Com 19 premiados, o mínimo chega relativamente cedo, mas do 9º (MX$ 126.300) ao 1º (MX$ 1.334.560) a diferença é de mais de dez vezes. O ICM, o modelo que converte fichas em dinheiro conforme a tabela de prêmios, pesa mais aqui do que num torneio de milhares de entradas: cada eliminação alheia paga você.
Segunda: 92 blinds na mesa final é um luxo que precisa ser administrado. Com essa profundidade não se joga push or fold; joga-se posição e controle de pote, deixando os curtos, como Aguirre com 14 blinds, brigarem entre si. Guzmán chegou ao heads-up sem ter arriscado o torneio num flip desnecessário.
Terceira: a última mão. Com dois jogadores, K-J é uma mão forte e pagar o all-in é correto quase sempre; 10-10 é favorito por pouco mais de 55%. Foi um flip bem jogado pelos dois, e venceu quem chegou com mais fichas. No heads-up os ranges abrem tanto que a disciplina anterior, a que traz você ao mano a mano com vantagem, vale mais do que a mão final.
E um detalhe que muita gente ignora: o pacote de US$ 5.000 para a WSOP Paradise é valor adicionado ao primeiro prêmio, algo que vale contar quando você calcula o ROI de um torneio. Se quiser acompanhar a mesa final do Main Event na sexta com critério, na comunidade a gente comenta ao vivo. Você pagaria o all-in com K-J no heads-up? Conta pra gente.